Conhecer Para Adorar
Em Deuteronômio 6.5, vemos de forma direta o grande mandamento da Lei judaica: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” O povo deveria amar profundamente ao Deus santo que os havia libertado, a fim de conseguirem cumprir a lei. É impossível amar aquilo que não se conhece. Para amá-lo, o povo deveria conhecê-lo, e para isso, deveria temer ao Senhor (Pv 9.10).
Israel já conhecia a vida de seus antepassados e como Deus havia se relacionado pessoalmente com os pais da antiga aliança. Eles podiam conhecer a história, mas não conheciam o Deus que a havia escrito. É somente quando os israelitas veem o agir milagroso de Deus para libertá-los e para estabelecer aliança com seu povo, que eles são capazes de temer, conhecer e amar o Senhor.
O conhecimento de Deus vai além de mera apreensão intelectual, envolve tanto afeição como compromisso. É necessário que entendamos a justiça de Deus, entregando seu único Filho para nos alcançar, quando ainda éramos seus inimigos (Rm 1.16-17; 5.6-11; Ef 2.1-10). Esse é o Deus santo que deve ser temido, o justo juiz que está disposto a pagar alto preço para reconciliar-se com seu povo eleito. Temendo-o por sua justiça e santidade, passamos também a conhecê-lo conforme Ele se revela à nós. Diariamente temos a oportunidade de buscar mais de Deus em sua Palavra, recebendo dEle consolo e refrigério para nossas almas. Nossa resposta é e deve ser o mais profundo amor, expresso em todas as coisas que fazemos.
Portanto, o conhecimento profundo que gera amor inevitavelmente deságua em um passo seguinte: adorar. Firmamos o nosso compromisso diário com o Senhor prestando-lhe culto e glorificando o seu nome em absolutamente todas as ocasiões da nossa vida, transformando o cotidiano em um altar de devoção. É somente amando-o com toda a nossa força, alma e coração que nos tornamos capazes de adorá-lo da forma que Ele procura: em espírito e em verdade. Que essa busca incessante pela face do Criador guie os nossos passos, e que, transformados por sua graça, possamos exclamar como Agostinho: “Ó Deus, faz que eu te conheça, meu conhecedor, que eu te conheça como de ti sou conhecido.”
