A ascensão de Cristo longe de ser o encerramento do seu ministério, representou a sua entronização pública como Rei dos reis. Aquele que morreu na cruz e ressuscitou ao terceiro dia agora está assentado à direita do Pai, governando sobre toda a criação. Tudo isto como a recompensa pela sua fidelidade até a morte (cf. Fl 2.9-11). O Cristo humilhado tornou-se o Cristo exaltado. Sua coroação é a garantia de que nenhum poder deste mundo, nenhuma força espiritual e nenhuma oposição humana podem impedir o avanço do seu reino e, especialmente, separar o seu povo do seu amor (cf. Rm 8.31-39).

A ascensão de Jesus deve ser lembrada pelo seu povo, pois é o grande testemunho de que a soberania do Senhor governa a história. Muitas vezes olhamos para o mundo e enxergamos caos, injustiça, violência e rebelião contra Deus. Contudo, as Escrituras nos mostram uma realidade maior: Cristo já reina. O trono do universo não está vazio. O Cordeiro que foi morto recebeu toda autoridade nos céus e na terra (cf. Mt 28.18-20). Seu governo não é frágil nem provisório; é absoluto, eterno e legítimo.

Esse reinado também transforma a identidade e orienta a missão da Igreja. Nós não somos um povo abandonado tentando sobreviver em um mundo hostil. Somos embaixadores do Rei exaltado (cf. 2Co 5.18-21). O mesmo Jesus que subiu aos céus prometeu permanecer com seu povo por meio do Espírito Santo até a consumação da história. O Pentecostes, que ocorreu 10 dias após a ascensão do Senhor, foi a demonstração visível de que Cristo reina e governa sua Igreja do céu. O Espírito derramado é o selo da presença do Rei entre o seu povo.

Por isso, a missão da Igreja realiza sua missão com esperança em meio à vitória de Cristo. Pregamos o Evangelho porque o reino de Cristo já foi inaugurado. Cada vez que as boas-novas são anunciadas, o cetro do Rei é estendido sobre as nações. Pecadores são reconciliados com Deus, inimigos tornam-se filhos, rebeldes são transformados em adoradores. O Evangelho é o anúncio de que o reino perdido pelo primeiro Adão, quando da sua usurpação por Satanás, foi retomado pelo segundo Adão, Jesus Cristo.

Ao mesmo tempo, a ascensão nos lembra que o inimigo de nossa alma já foi derrotado. Na cruz, Cristo esmagou a cabeça da serpente; no trono, ele aguarda o momento em que todos os seus inimigos serão postos debaixo de seus pés. O inimigo ainda age, mas já não reina. Seu domínio foi despojado pelo Rei legítimo. Por isso, o povo de Deus vive em perseverança.
Hoje, portanto, lembre-se de Cristo exaltado. Não tenha em mente apenas a sua cruz, fonte de nossa salvação. Considere no coração a sua exaltação, razão de nossa profunda esperança. Em meio às lutas, tenha em mente que seu Salvador governa todas as coisas. Em meio ao cansaço, recorde-se de que o Espírito Santo é a presença do Rei em você. Em meio à oposição, permaneça firme, pois o reino de Cristo jamais será abalado. O Cordeiro que foi morto é digno de receber poder, honra, glória e louvor, até que um dia toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor.

“Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.” (Ap 5.12)

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