No salmo 103 o verso 5 diz que Deus “farta a tua boca de bens”. O ser humano possui um vazio que busca preencher com ídolos finitos, mas o Salmo nos ensina que a verdadeira satisfação só é encontrada no Senhor. Agostinho expressou bem essa realidade ao dizer: “Fizeste-nos para Ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti”. O “bem” supremo aqui não é a
prosperidade material, mas a comunhão face a face com o Deus vivo, que sustenta nossa alma em meio às privações.

Como resultado dessa satisfação, “a tua mocidade se renova como a da águia”. A analogia da águia sugere vitalidade e perspectiva dos céus. A vida cristã não é uma trajetória de declínio espiritual, mas de renovação contínua pelo Espírito Santo. Mesmo quando o homem exterior se corrompe, o interior se renova dia após dia (2 Coríntios 4.16). A soberania de Deus nos garante que a
força para a caminhada não vem de nossa própria reserva, mas da fonte inesgotável da Sua graça.

Ao lermos o salmo 103 percebemos que Davi descreve as bênçãos do Pacto da Graça. Cada ação divina como perdoar, sarar, redimir, coroar e fartar é uma demonstração de que Deus é fiel à Sua promessa. Para o crente reformado, esta passagem é um lembrete de que a nossa segurança não repousa em nossa capacidade de segurar a mão de Deus, mas no fato de que Ele nos segura com Sua mão destra e fiel, garantindo nossa preservação final.

A devocional termina onde começou: na glória de Deus. Se Ele faz tudo isso por nós, a única resposta lógica é a doxologia. Salmo 103 é um resumo do Evangelho: do diagnóstico da nossa miséria à exaltação da nossa redenção. Que ao meditarmos nestas palavras, nossa alma não se perca em distrações mundanas, mas se eleve em adoração fervorosa, reconhecendo que d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *